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Capítulo 7: Defcon 3

Música Recomendada: Judge And Jury - Audiomachine

O reflexo cristalino na vidraça panorâmica do “Centro de Comunicações”, ofuscava a retina ocular com o brilho metálico da fuselagem de centenas de naves espaciais oriundas do planeta Terra, completamente lotadas até ao último possível passageiro. O suspiro aliviante da guerra fria emocional, que atrofiava o coração com medo de morrer e enlouquecia a mente ansiosa por sobreviver ao nevoeiro de gelo, que congelava as únicas recordações queridas e belas conhecidas pelo ser humano. O grito libertador da pressão existencial esboçado num caloroso sorriso, inicialmente com aquele sabor a vitória, mas que rapidamente se transformaria num soluço amargo e enjoativo de pânico desmedido; mal sabiam aquelas pobres almas, a partida que o destino lhes pregara, apenas à espera do "timing" perfeito para se soltar. Os guinchos carnívoros daquelas criaturas desumanas, assobiavam incessantemente no meu ouvido tísico a melodia faminta de fome animal e selvagem, provocando pequenas descargas eléctricas corporais no meu ser trepidante e molhado com suores frios de medo.
O tempo avançava vertiginosamente, sem dó nem piedade, trazendo o bem numa bandeja para ser consumido e devorado pelo mal, na aproximação gradualmente acelerada das naves espaciais de salvamento à "Estação de Acoplagem" da “GenoTech”. Os botões encarnados de alerta, piscavam descontinuamente por todo o painel computorizado; o papel A4 saltava das impressoras com todos os relatórios pormenorizados dos danos materiais nos inúmeros segmentos da infra-estrutura, os microfones cromados de comunicação com o exterior eram surdos e mudos, indiferentes às mil tentativas desesperadas de avisar aqueles passageiros ingénuos para não aterrarem num planeta armadilhado com uma bomba prestes a explodir.  
Não sabia o que fazer, sentia-me como um estranho anónimo perdido num limbo esquecido para o mundo, apenas relembrado no momento de o salvar, mas eu tinha de agir, de me agarrar a algo espiritual que me desse forças para me transcender, por mim, pela minha família, pela humanidade
Enchi-me de coragem e esperança, serrei os dentes e os punhos para me auto-motivar e dirigi-me furiosamente à “Sala de Armamento“ adjacente ao vasto complexo de comunicações onde me encontrava. Peguei na leve espingarda futurista com "zoom" telescópico, equipada com a mais recente tecnologia de balas protoplasmáticas; agarrei em meia dúzia de granadas criogénicas que pendurei num cinturão de nylon muito leve e robusto em torno da cintura, e vesti um colete à prova de choque que trazia acoplado uma pistola “Taser“ paralisante. Armado até ao pescoço como um autêntico “Rambo“ dos tempos modernos, ausentei-me da "Sala de Armamento" e consultei o "Gps" para me situar geometricamente e não me perder naquele "deja vu" arquitectónico.
A minha próxima tarefa parecia simples à primeira vista, só tinha de me deslocar à "Estação de Acoplagem Aérea" e activar a rampa espacial onde as naves iam aterrar. Todavia, um olhar mais atento e debruçado sobre o referenciado dispositivo posicional, encheu novamente o meu coração de inquietação, ao verificar de forma exacta e evidente, que o único caminho possível para alcançar o hangar das naves espaciais, seria através do assombrado "Complexo de Genoma Humano", onde os demónios vampíricos ensaiavam a coreografia final para entrarem em cena.
Sem uma solução alternativa e com a fé divina num desfecho promissor, realizei um "sprint" muito rápido por entre paredes frígidas e corredores luminosos que me eram familiares, e que já tinham partilhado comigo a fuga opressiva do sobrevivente oportuno, mas desta vez no sentido inverso. Subitamente, os batimentos cardíacos aumentaram descontroladamente de ritmo ao captar no meu campo de visão, a imagem cada vez mais próxima das janelas salpicadas de sangue e saliva esfregadas pelo focinho daqueles animais primitivos que uivavam o grito da liberdade. Fechei os olhos por segundos, com a força de quem queria ser cego temporariamente para seu próprio bem e ao passar paralelamente à porta futurista que separava o paraíso do inferno, os vidros explodiram à minha volta no salto vertical daqueles monstros mutantes; outrora meus melhores amigos, decididos a travar a minha caminhada a todo o custo, no pressentimento ameaçador das suas vidas miseráveis. Atravessei-me horizontalmente pelo ar, por entre estilhaços prateados eclipsados pelas sombras dos bichos que pairavam na minha cabeça e dispararei sem qualquer dúvida e hesitação, como um assasino treinado para matar, tiros de plasma azul que incendiavam a sua pele deformada num efeito evaporizante…

A Continuar...

Edição de Imagem: Bruno Fonseca 

Última Transmissão Humana © 2013. Todos Os Direitos Reservados.

1 comentário:

NEIA disse...

Acho uma historia mto bem estruturada.Os premonores da certas partes do texto SUBLINHADOS dão um efase a leitura e cativa o leitor!!!Quanto à musica esta de acordo com o texto.a parte grafica esta mto apelativa.
Continua a escrver porque quanto a mim tens futuro.tens um tipo de escrita mto personalizada.sei k requer mto trabalho da tua parte mas marece o esforço .aguardo novo texto.nao tenho palavras classificar....
É UNICO...continua...beijokas gandes

 
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