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Damkina 01

As faúlhas incandescentes, expelidas abruptamente do motor cálido em ignição, beliscavam vertiginosamente a viseira fumada do meu capacete aeronáutico, desgastado com os clarões de cegueira que sapateavam harmoniosamente com as suas sombras alvoraçadas num efeito luminoso de rara beleza visual. O poliedro diáfano reproduzia o céu circular dos sonhos humanos, salpicados na tela fresca da esperança por um pincel borrado de tinta seca atormentada pelo vaticínio infortunoso do sossego espacial.
O paradoxo cruel do meu senso instintivo palpitava o fastígio da morte velhaca que gatinhava prematuramente no adágio ritmado para o seu encontro pontual. Eu sentia o rasto calculista das migalhas emocionais que iam sendo debicadas na pausa oscilatória da viatura acrobata, conduzida imaculadamente pelos pixeis inteligentes do seu processador quântico monstruoso, patenteado solenemente com a rubrica memorial da falecida companheira do seu inventor “Damkina“. Baptizado com a qualidade mais apreciável da sua alma gémea desaparecida, a “Esposa Fiel“ conservava no íntimo nuclear a curvatura elíptica da volúpia feminina, difundida por um tentáculo electrónico ramificado em milhares de nano chips ultra-velozes que sustentavam a figura virtual do aclamado "software" de navegação, preferencialmente adoptado pela comprovada eficiência e fiabilidade na perenidade matrimonial entre a máquina insensível e o homem emocional. Numa era institucionalmente robotizada pelo “mainstream” do intelecto artificial que desprezou o disco compacto como “mídia” convencional, os eléctrodos tubulares comutados na têmpora neurológica, conectavam-se com a matriz do servidor “on-line” que registava num padrão codificado os dados individuais procedentes da intensa actividade sináptica de cada ciber-navegador ligado à "aldeia global". Imune aos ataques corruptivos dos talentosos piratas contemporâneos, o “mare nostrum socialis” fortificava a segurança da sua “muralha da China” com o betão policial de um agressivo porteiro “firewall” que autenticava criteriosamente o “IP” cerebral do cardume de marinheiros internautas, identificados na rede pública mundial pelo “avatar” digital da sua verdadeira aparência física.
Unos na infusão binária de um programa pré-instruído, as inúmeras imagens residuais dos indivíduos genéricos interagiam intimamente num “lobby“ tridimensional, sistematizado num mercado “origami” de temáticas multi-disciplinares que eram alfândegariamente descarregadas para o ecrã táctil do sistema operativo, em consonância com o fluxo nervoso da vontade interpretada por um roteiro intuitivo, mediador de todas as aplicações requisitadas. O comandante automático sem “brevet” nadava com o pedaço de lata no gueto celestial, deslizando com constância pelo crocito turbulento da saturada cintura de asteróides que encobria o “ovni” destinatário do passeio turístico incógnito. A córnea longínqua revelava o “slide” míope de uma ilha mecânica auscultada na escuridão do escuro por um vestígio familiar replicado miraculosamente no cânone sonoro do "Chronos" ainda vigente. Encurralado na ganância bondosa do “Alpha e Omega” semi-delinquente, aquele rochedo usurpador deliberadamente increpado, perfurou o casco vitríolo do aparelho orbital crivado de feridas materiais que gratinavam no corredor magnético do palácio estrangeiro, irreconhecido no mapa cartográfico planetário.

P.S - O que vai desejar, Sr.Haiden?

A Continuar...

Autor Da Imagem: Paulo Madeira em PauloMadeira.net

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Equação De Nosferatu

A humanidade amarrada numa camisa de forças ripostava na hora certa da injecção letal com o braço de ferro em carne viva, no epíteto cataclísmico do planeta azul quase desaparecido nas entranhas viscosas do silêncio espacial. O convénio de Judas exaltava o fanatismo dos seus apóstolos recém-associados com a água benta lambida das sete chagas de Cristo, agrupados em colunas robustas meticulosamente organizadas pelo sinal semiótico do seu código linguístico selvagem. Na dianteira dos meus olhos exorcizados de terror, os carniceiros delatores delineavam o plano geoestratégico belicista, chicoteando-se mutuamente com palmadas de regozijo narcisista, aparelhados com o cilício farpado, símbolo carpidor do massacre humano inevitável no certame definitivo de todas as decisões.
A sua compleição física vigorosa impunha respeito, o crânio felídeo envolvido num crustáceo excrementoso de borbulhas montanhosas, repudiava a sensibilidade de qualquer íris vulgar num tumulto lacrimoso, agravado pelo colosso torácico, esguio e espadaúdo que definhava o meu músculo cardíaco melindrado de agonia. Os membros superiores e inferiores eram extensos e sinuosos, revestidos por uma película pegajosa que albergava uma pelagem eriçante e volumosa numa miscelânea alienígena autenticada com a insígnia flamejante do Minotauro infernal.
A falange cascavel aumentava a dose do cerco venenoso, mantendo em rédea curta o batalhão totalmente desfalcado das forças especiais de salvamento que flutuavam nas suas sobrancelhas pitorescas com os canudos cerrados na têmpora crucificada de infra-vermelhos apontados para disparar. O hino das lamentações bradava ao cosmos a sobrevivência da espécie racional hedonista que contrastava com o grimpar volumptuoso dos bicharocos doentios, encantados com a ideia romântica de passearem à beira-mar por um jardim melancólico ornamentado de caveiras humanas.
No instante oportuno em que pressionava a alavanca fatídica para activar o gancho de aterragem das naves espaciais, o sibilo bárbaro desencadeia uma avalanche torrencial de ataques aracnídeos infestados de ira numa teia predadora que gradeava irremediavelmente o último reduto de homens bravos em desvantagem numérica, atordoados por uma defesa improvisada, fazendo das tripas coração, com o reduzido poder de fogo ainda disponível ao seu alcance. Os canhões de plasma, equipados solitariamente em cada veículo voador eram impotentes para travar o assédio compulsivo das viúvas negras apaixonadas que eram cuspidas num embrulho alimentar venoso proveniente das gargantas gástricas do inimigo público número um, como um beijo coercivo no código genético sapiente, adulterado e convertido para o clube dos poetas mortos. Mulheres grávidas separadas dos seus maridos, crianças órfãs perdidas dos seus pais adoptivos, idosos arrancados das camas dos seus lares provisórios, vítimas do dogmatismo preferencial do protocolo de evacuação, choravam o memento da amnistia divina, como um agregado familiar unido de mãos entrelaçadas para sempre, com a memória inesquecível do festival olímpico de arremessos ensurdecedor.
As maquinetas aéreas sobrelotadas despenhavam-se descontroladamente a pique, engolidas pelos monstros sanguinários que cortavam o metal simetricamente, separando o cockpit sem condutor da cauda aviónica sem propulsor. Por breves instantes, permaneci colado na víscera das minhas emoções imbuídas de uma raiva gradualmente galopante que incitava a necessidade categórica de agir. Comecei a descarregar como um louco em todas as direcções num movimento de trezentos e sessenta graus, rajadas de tiros protoplasmáticos e granadas criogénicas que estoiravam com os miolos dos invasores pelos recantos periféricos do complexo científico, no comunicado exuberante de desforra em nome da minha mulher e filho. Rastejei até aos escombros cobertos de corpos quase vivos que ainda ardiam no meio das chamas dos pássaros caídos, na diligência esforçada de encontrar Amanda e Jamie. A retina processava vertiginosamente as parecenças congénitas numa dualidade emocional de ansiedade e receio atormentada pela dúvida existencial de indícios homogéneos no naipe craniano desfigurado na fervura efervescente do caldo sebácico ebulidor.
Não existiam sobreviventes, a totalidade dos ocupantes de cada transporte acabaria por falecer instantaneamente no fluído vertido dos seus graves ferimentos, envolvidos na teia suicida dos pilotos extremistas que faziam explodir os aviões desviados na direcção dos que tentavam escapar a todo o custo, num cogumelo combustivo expandido pelo Universo. Escondido invisivelmente no refúgio biblíco daquela sucata de gente, murmurei aos deuses a agonia de viver violentado a observar os escravos diabólicos com os manifestos de voo a conferir o somatório dos finados, completando a sequência Fibonacci do holocausto mundial.
Saboreei o revólver na língua insípida e tesa, desejosa de lamber o gatilho aliciado por um prazer único terminativo, mas uma voz alegórica de esperança matutava com persistência os apelidos dos meus dois tesouros mais valiosos, relevando as suas letras brilhantes na maldita tira de papel processado a computador que sorria para mim com a informação detalhada de cada passageiro disposto por ordem alfabética.
Aguardei pacientemente pelo momento oportuno e quando as criaturas de ébano viraram costas, ataquei o confidente do mencionado documento escrito, paralisando-o com um choque encefálico de quinhentos volts induzido silenciosamente pela pistola Taser. Discretamente, sem chamar a atenção dos idiotas descuidados, resguardei-me numa sombra estrutural e percorri apressadamente a lista de palavras relacionadas com alguém, num suspiro profundo de alívio abraçado pelo sentimento esquecido do abandono eremita numa vida insignificante privada de sentido.
Estava na hora de fugir daquele hospício mental com a motivação nostálgica de regressar finalmente a casa e abraçar calorosamente a minha esposa com o seu avental colorido a cozinhar a minha refeição preferida, auxiliada pelo seu ajudante amador, empenhado em deixar o seu toque pessoal no petisco delicioso. Sem deixar qualquer rasto suspeito, esgueirei-me habilmente por uma passagem secreta subterrânea que dava acesso à “Sala das Cápsulas de Emergência” e ao deparar-me com uma cortina de aço composta por dois bisontes que vigiavam a entrada, assobiei sensualmente no engodo de ludibriar a sua fraca inteligência cognitiva e no instante da sua aproximação à parede que ocultava o meu esqueleto por inteiro, pulverizei-os com múltiplos abalos eléctricos embalados num conto infantil de boa noite. Para mal dos meus pecados redimidos, um dos lobos noctívagos conseguiu ainda emitir a sonata musical do intruso infiltrado antes de padecer, atraindo o exército de Nosferatu ao local do crime reincidente. Barriquei as portadas com um machado excessivo encontrado no escaparate para incêndios e ejectei-me gloriosamente na cápsula de fuga, dizendo adeus aos vampiros frustrados que batiam amarguradamente com as dentuças enjoadas no portão encravado.

P.S – Continuo perdido na imensidão do espaço enclausurado no habitáculo do foguetão sustentado por um tanque de combustível quase na reserva e uma luz intermitente que não cessa de piscar há três dias consecutivos no radar embutido na consola de navegação. As minhas faculdades mentais encontram-se diminuídas e os resquícios de gasolina só permitem viajar para um dos seguintes destinos:

1 - O local desconhecido no vácuo sideral.
2 - A base da Nasa no globo terrestre.

Se receberem esta mensagem, ajudem-me
a tomar a decisão certa.
Votem na opção desejada através da sondagem que se encontra na barra lateral.
Entrego-me nas vossas mãos, escolham o meu fim...

Votação Terminada: Status: Triangulação De Novas Coordenadas...Ok

A Continuar...

Autor da Imagem: Paulo Madeira em
PauloMadeira.net

Dedico este texto a uma pessoa muito especial, que roubou o meu coração e pagou o resgate com muito amor, apoio e admiração, por mim, por tudo aquilo que sou, por tudo aquilo que faço. Obrigado Carla, Love Ya...

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Ilusionista Da Morte

Sacrilégio satírico do homem da barca invisível que cobre a ninharia da vida com o véu acetinado tingido em cravos de sangue, no presídio da identidade pessoal inscrita no reverso da moeda do destino atiçada ao ar aleatoriamente sem nexo…

Alquimista da ode eufemista canonizada na verdade da mentira dissimulada, que deambula vingativamente pelo calvário superficial do elmo de aço psicológico entranhado no âmago cerebral indestrutível…

Ornato violento de expiação carnal mascarada no cepticismo da aparência omnipotente, mergulhada na fonte eutrófica da prognose existencial imbuída na psicomansia do sepulcro terrestre…

Feiticeiro dramaturgo da odisseia gestual teatralizada no refúgio invisível da maquilhagem comovente, representada no bailado hermetista do actor teosófico…

Coreografia artística do ilusionista da morte encenada com a auréola de espinhos envenenados em ódio, engenhosamente camuflada no marasmo do mártir sobrevivente do seu homicídio individual…

Teatralidade e
Ilusão são poderosos agentes
ao serviço de um sujeito
que
precisa de ser mais
do que um simples homem


na mente do seu opositor


Autor da Imagem: Paulo César em PauloCesar.eu

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Arte De Guerra Gun-Fu

De tenra idade, renascidos da forja humana com a ambição motivadora potenciada pela inocência da sua curiosidade filosófica, iniciavam a sua preparação física e aprendizagem intelectual no “Agoge”,um centro de formação militar que visava treinar intensivamente os jovens soldados amadores numa arte marcial milenar, o "Gun-Fu", a fusão perfeita entre a perícia de disparo com uma arma de fogo e a técnica corporal de auto-defesa pessoal, apaixonadamente embrenhadas numa finalidade comum, proteger e eliminar a todo o custo.
O antigo entrelaçava-se fielmente com o moderno numa redoma sensível de conhecimentos teórico-práticos, alheios ao anacronismo da formulação e reformulação constante, ao longo de décadas, do papiro revelador dos princípios fundamentais de combate, rabiscados com o objectivo precípuo de maximizar eficientemente a capacidade de tiro assente na predição intuitiva da posição angular de cada invasor hostilizante.
Possibilitando um acréscimo percentual de sucesso na ordem dos cento e vinte por cento comparativamente a um simples ataque convencional, este poderoso instrumento secreto só estava ao alcance das mentes mais dotadas reflexivamente, mutuamente acompanhadas por atributos físico-atléticos minuciosamente seleccionados devido à demanda dos elevados níveis de concentração psicológica e exaustiva mobilidade motora na execução imaculada de um gesto sangrento desferido para matar.
O espaço circundante era memorizado visualmente num milésimo de segundo, na fotografia de um mapa mental que continha a posição exacta de cada inimigo num plano tridimensional, conferindo ao autor da sua exímia compreensão, um único golpe certeiro capaz de eliminar trinta alvos simultaneamente como um carrasco profissional coleccionar de cabeças numéricas. Improvisação e adaptação eram as palavras de ordem, num mundo ainda regido por leis naturais que podiam ser contornadas pela criatividade inesperada da inovação espontânea, o elemento surpresa como afirmava o meu mestre. A interiorização mecanizada deste estilo materializava-se em torno de um círculo idealizável possuidor de dois graus distintos, o primeiro correspondia ao treino corpo-a-corpo executado e aperfeiçoado no dojo sob o tatame japonês, o segundo reconduzia o estudante para um ambiente virtual que simulava todos os cenários possíveis e imaginários de abordagem ofensiva, sem esquecer o confronto agrupado ou individual que pudesse decorrer das inúmeras circunstâncias apresentadas em tempo real. Ângulos infinitos de trajectórias aleatórias eram cuidadosamente calculados e analisados analiticamente por um super-computador holográfico, numa representação estatística dos movimentos tácticos e geométricos de cada agressor no momento anterior e posterior de premir o gatilho, fintando evasivamente todo e qualquer dano colateral que pudesse advir desse penoso e intencional acto violento.
Vinte anos, era o período cronológico que separava o miúdo delgado e inútil do adulto musculado e ágil ao serviço da infantaria de elite, os guerreiros virtuais recém-graduados com prestígio e excelência que transportavam a insígnia invisível da virgindade empírica no campo de batalha. Assassinavam em nome do "Pai", líder dos seguidores, chefe dos governadores, toldados por um bem superior humanitário de igualdade e liberdade confundível com um gesto de agradecimento egoísta de guarida das suas vidas repletas de insignificância à nascença num berço de palha. Infelizmente, eu era um deles, revoltei-me fortemente contra o sistema opressor e desertei cobardemente durante toda a minha vida. As noções extremamente avançadas de informática escancararam-me as portas da absolvição sofrida e demorada, ao ludibriar o pacemaker de localização implantado nas entranhas do meu músculo cardíaco como uma reversível doença terminal. Forçado a mudar de identidade, refugiei-me na penúria da minha sombra fugitiva, escondido atrás de uma secretária fria e atulhada de manuais de linguagem pascal, uma penitência isolada atenuada apenas pela aparência de um mero técnico de programação que agora era procurado para ser exterminado pelo mesmo governo responsável pela sua própria invenção...

"A única coisa mais poderosa que o sistema, é o homem que o conseguir derrubar"

A Continuar...

Autor Da Imagem: Nuno Ramos em Olhares.com/quartzob

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Hematoma Cibernético

O mundo ingenuamente enganado como um pequeno adulto imaturo, vive a verdade da mentira encoberta com mestria pelos principais líderes mundiais. Eu sou um produto dessa lavagem cerebral, adulterada na sua essência pelo paleio da retórica engenhosa do agrado dirigida às massas populares imbuídas de cegueira. Uma falsa ilusão democrática, aquece os corações mais frios com o calor das vozes da arraia miúda emocionalmente controlada pela autoridade soberana da ditadura vigente. A realidade objectiva perdeu-se na obscuridade pervertida do poder egoísta ilimitado dos “Lords” aristocráticos que impingem a sua propaganda ideológica através da manipulação criteriosa do fluxo informativo a uma escala global.
O célebre fenómeno que ficou vulgarmente conhecido como “Bug Do Ano 2000” constituiu a derradeira fase de implementação e consolidação do mencionado sistema informatizado destinado a falsear todas as provas empíricas da existência humana, na tentativa inteligente de camuflar um ganancioso projecto “Top Secret” levado a cabo por entidades sem rosto, hierarquicamente superiores aos próprios governos de cada nação.
O projecto “Génesis” como foi apelidado, tinha sido concebido para devolver do reino dos mortos, todos os soldados dos países aliados que falecessem heroicamente a combater pela sua pátria, poupando a lágrima chorosa da perda familiar e as despesas monetárias de cada estado nos respectivos caixões das vítimas. Os seus corpos inanimados, tecnicamente considerados como óbitos eram reconduzidos para a sede da “Cyber-Arms”, uma espécie de “Área 51” disfarçada pela “Genotech” que servia de fachada para o segredo mais bem guardado do planeta, o “Santo Graal” da vida eterna. Um milagre da tecnologia moderna que parecia tão simples como reconstruir um corpo inteiro recorrendo a próteses mecânicas de titânio revestidas por um componente natural que imitava a pele corporal ou substituir órgãos vitais por peças inorgânicas produzidas com materiais sintéticos e maleáveis incorporados por micro-chips avançados dotados de inteligência artificial que simulavam a vida biológica. No plano prático os novos seres modificados permaneciam aparentemente inalterados à vista desarmada, mantinham a mesma aparência física que os caracterizava e conservavam de igual modo a profundidade psicológica das suas ideias, crenças, valores e emoções tão revelador do seu peculiar carácter pessoal. Em troca só tinham de garantir o sigilo completo destas actividades supra-militares de ressuscitação, como autênticos “Cyborgs” cibernéticos, metade homem, metade máquina que eram constantemente monitorizados para garantir que não cometiam nenhum deslize sob pena de serem automaticamente destruídos pelo dispositivo eutanásico de segurança introduzido no interior do seu coração.
Finalmente, os magnatas anónimos refugiados em pano de fundo como meros espectadores, substituíam-se a Deus na decisão subjectiva de quem vive e quem morre mas esta operação éticamente polémica escondia outros propósitos sombrios e perturbantes mais condizentes com a necessidade política e económica de enriquecer e dominar o mundo dos homens, por via da criação de um super-exército composto por guerreiros de elite, mais resistentes e menos vulneráveis às armas de fogo, os despojos de guerra que serviam agora para derrubar eficazmente todos os opositores que se cruzassem no seu caminho. Enquanto mais de metade do universo humano morria de fome ou de doença, uma pequena fracção percentual dessa maioria continuava a respirar o oxigénio vital, num privilégio instrumental alimentador de uma mente retorcida.

P.S - Erro no sistema - Reboot

Homo Homini Lupus - O Homem É O Lobo Do Homem

A Continuar...

Autor da Imagem: Paulo Madeira Em PauloMadeira.net

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Antropomorfose Divina

Culto esotérico do sonho mitológico apolíneo, visualmente dedutivo das últimas velas vitais que ardem na sinagoga do Olimpo, onde os Deuses imortais elaboram os glifos invisíveis com as leis fundamentais do Universo…

Blasfémia do cientismo genesíaco, filosoficamente censurada pelo tribunal eclesiástico ateniense, inquiridor das conspirações que profanam o Deus cosmológico teocêntrista…

Misticismo
religioso do dogmatismo coloquial e privado, helénicamente transportado da entidade teológica para o ser espiritual, receptor das coordenadas existenciais da sua sigilosa missão terrestre

Ocultismo
politeísta da predestinação pragmática dos poderes santificados, profilacticamente transmissíveis na urgente redenção mundial do monstro quimérico que viaja escondido no interior da caixa de Pandora…

Encarnação do verdadeiro segredo alienígena, invejosamente mascarado pelo Olho Providente que tudo vê e nada deixa escapar…

"Os Deuses invejam-nos porque somos mortais, porque cada momento pode ser o último e tudo é mais bonito por estarmos condenados pelo destino"

Autor da Imagem: Paulo César Em PauloCesar.eu

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Primeira Vaga

A pressão psicológica da fobia temporal, injectava a morfina orgânica no meu corpo fragilizado já em estado indolor, instintivamente conduzido pelo automatismo transcendente da minha vontade metafísica. A marca sucessiva da impressão sanguínea digital do indicador hiperactivamente martirizado, cravada no botão luminoso do elevador prateado, espelhava a construção imagética reflectida, das garras polidas e cintilantes na cavalgada agressiva e hostilizante dos cavaleiros das trevas. O cubículo elevatório tardava em chegar, causando a ilusão optical da paragem cronométrica ascensional dos dígitos numéricos do mostrador decimal no murmúrio temporalmente intimidatório da derrota pré-consumada.
As ondas sonoras expandiam cromáticamente o pulsar do lado negro biogenético, empestando os resquícios aeróbios com a glicerina mórbida dos necrófagos nauseabundos, agravando a minha respiração asmática traqueal que se afogava vagarosamente no tóxico agonizante, agregado ao fantasma hediondo da espera aflitivamente incerta e impaciente. A palidez da tontura fraquejante, apregoava o sermão da advertência consciente biologicamente artificial, sinalizando sinapticamente o apelo recorrente à terapêutica instantânea do último ansiolítico anti-sincopal que eu trans- portava sempre no fundo falso do meu requintado cantil de whisky. Imediatamente, a lucidez motora restabelecida parcialmente pelo efeito eficaz do sedativo medicinal, devolveu-me uma força acrescida superior, necessária para erguer novamente a arma de fogo científica e vigiar pela mira de zoom telescópico, os bichos horrendos que se aproximavam eruptivamente como raposas matreiras brotando dos olhos o magma ardente originário das catacumbas vulcânicas do Inferno.
O tempo de vida esgotava-se drasticamente com a mesma fugacidade extenuante dos derradeiros cartuchos de munições protoplasmáticas perfurantes que eram descarregadas brutalmente, em rajadas de fogo cruzado como farpas incisivas que atravessavam os pedaços de carne esponjosa, decorando artisticamente o estuque metálico das paredes do vasto corredor rectangular, com a pintura gótica dos seus restos mortais irreconhecíveis.A proximidade do bafo agonizante emanado das suas fossas nasais fumegantes, chamuscava a minha pele irritada como um bálsamo desidratante que absorvia energeticamente todas as gotículas sudoríferas resultantes da exaustiva actividade corporal do meu ser lastimável. Miraculosamente, no milésimo de segundo em que a primeira fileira de criaturas sobreviventes, aperaltava a goela animalesca para engolir o meu cadáver suculento, captei o batuque angelical do “Tic Tac“ sonoro da salvação e voei de costas para o interior das portadas electrónicas semi abertas do elevador, atiçando uma granada criogénica de luz congelante que adiou momentaneamente o horário sagrado da sua refeição nocturna. O rugido de frustração enervava o estoicismo da sorte aparentemente ocasional, fazendo estremecer o ascensor eléctrico, enquanto aguardava aliviadamente pela chegada merecida ao “Hangar das Naves Espaciais“. Finalmente, um sorriso esbatido substituía o semblante carregado do meu rosto mal tratado, ao visualizar as naves de salvamento que sobrevoavam a plataforma espacial em manobras aéreas de aterrarem, mas era somente o princípio do fim. Inesperadamente, no ápice em que activava o gancho de acoplagem das máquinas voadoras, a primeira vaga do exército dantesco "emergiu" do solo, formando um cordão umbilical compacto e denso que preenchia todo o perímetro em redor.

P.S - Pelos vistos, eu tinha apenas provado uma amostra diminuta das capacidades maléficas dos soldados da noite que não passaram de uma mera manobra de diversão infantil e idiota do seu aquecimento preliminar, constituindo um meio para atingir um fim inevitável. A verdadeira batalha começava agora. A guerra dos mundos travava-se no espaço, mesmo debaixo das "barbas" do criador do Universo.


"O que define uma pessoa, não é a sua identidade interior,
mas antes o seu modo de agir exterior"

A Continuar...

Autor da Imagem: Ddiarte Em Olhares.com/Ddiarte

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Lúmen Eterno

Visão ecléctica do dispositivo espiritual, de auto-defesa planetário, secretamente imbuído no código genético humano como um seguro de vida vitalício mundialmente providencial…

Candidato predestinado da escolha divina ontologicamente premeditada e corporalmente ponderada, do ser ambígeno mortal, que suporta o estigma da orbe da vida na palma da sua mão…

Fluxo de energia “ Reiki “ organicamente emanado do cântico sagrado ao Deus universal, transferido cosmologicamente na absorção intravenosa do herói sobrenatural…

Réplica sonora do oráculo grego eclesiástico, que ecoa pelo Universo o código Morse recorrente do “ S.O.S ” civilizacional…

Dúvida existencial progressivamente dissipada pelo perdão religioso, intencionalmente dirigido ao terceiro filho pródigo de “ Apollo “ que persegue a sua sombra para sempre…

Clarificação do sentido da verdade missionária sem retorno, depositada na crença humanista do lúmen eterno da vida…

“Existe uma diferença entre conhecer um caminho e percorrer esse mesmo caminho“

Por Mim, Por Nós, Por Todos...

Pela Humanidade


Autor da Imagem: Paulo César Em
PauloCesar.eu

Dedico este texto a uma pessoa que me é muito querida, a Andreia que é uma fã do meu trabalho. Espero que gostes :-)

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Encontros Imediatos De Terceiro Grau

Lascas de cinza humana arrefecida fundiam-se quimicamente com o ar, absorvendo a última réstia de oxigénio benigno, na queda desamparada do meu corpo inerte e esgotado, que apenas suportava o peso do brinquedo do Homem feito para matar. O indicador, firme e sólido, não hesitava em premir o gatilho da arma futurista que fumegava com os disparos cíclicos constantes das balas plasmáticas circulares que percorriam o corredor em chamas, ceifando a vida de todos e de cada um dos guardiões das trevas. Um após o outro, tombavam perpendicularmente, como uma sequência perfeita de dominó que se vai desmoronando, rápida e progressivamente, numa desconstrução corporal de areia, condenados ao estigma de um espírito aprisionado eternamente, na prisão dos pecadores que violaram a sua liberdade condicional no Inferno.
Apareciam com a mesma rapidez que desapareciam, numa dança quase invisível, um para cada bala, como se as suas pseudo-vidas tivessem tido uma história amorosa atraiçoada no passado e o projéctil de chumbo tivesse regressado oportunamente para coleccionar a recompensa da sua pequena vingança. Persistentemente, aquelas criaturas psicadélicas maniatadas cerebralmente como marionetas “kamikaze“ de uma peça teatral psico-dramática, continuavam a marchar convictos da sua nobre missão, fazendo estremecer os azulejos de mármore das paredes encardidas de pele queimada, contendo mensagens de morte resultantes da combustão dos seus despojos orgânicos. O espaço geométrico circundante tornava-se cada vez mais diminuto e asfixiante, numa ilusão de óptica sensorial alimentada pelo medo mental de sucumbir às poderosas investidas do inimigo. Inesgotavelmente, na tentativa de contrariar as forças ocultas do Universo, naquele temeroso momento de premonição consciente de que algo vai correr mal, o som ligeiramente abafado e o cheiro intensamente insuportável a pólvora queimada procedentes do último cartucho disparado que saltava vagarosamente num movimento ascendente em espiral, contrastava com a normalidade dos sintomas mecânicos da arma híbrida topo de gama, deixando antever a iminência anómala do erro fatal. Uma lágrima preta de suor, resvalava pelo meu rosto coberto com o pó de alguém, deixando o rasto azarado do triplo seis na sua queda livre, numa sincronização espácio-temporal rigorosa, no contacto com o osso manual, dilatado e exausto, do repetido movimento cinético muscular de premir o gatilho como um amador. Instantaneamente, ao espreitar pela lente de zoom telescópico para fazer pontaria como um olho sagrado que tudo vê, a bala perfurante perde a coragem de voar e encrava inesperadamente na câmara de ar, possibilitando o contra-ataque demolidor do que restava do exército pomposo do rei das trevas.
A sombra nocturna, formatada num misto vampírico, metade lobo, metade homem, aterrou violentamente na minha zona abdominal, tentando arrancar-me bruscamente a arma das mãos e despojar-me do meu seguro de vida mais valioso e eficaz. Desesperadamente, na tentativa persistente e raivosa de disparar a todo o custo, no meio daquela luta “mano a mano“ completamente desleal do homem versus monstro, orquestrada pelo Deus do submundo, os sinais vitais da minha vida espiritual começavam a fazer os preparativos finais para abandonarem o meu corpo massacrado das bofetadas que me projectavam em ricochete pelas paredes desfeitas de um canto ao outro da sala. Quase morto, invoquei um Deus anónimo e fiz-lhe uma pergunta: Se eu sou o salvador do Mundo como posso morrer sem cumprir o meu destino? Não obtive uma resposta telepática nem ouvi uma voz do além, mas algo mágico aconteceu naquela fracção de segundo. Abri ligeiramente o olho esquerdo em ferida, inchado e coberto de sangue, o único que ainda conseguia vislumbrar desfocadamente a luz da esperança no fundo do túnel e numa visão entorpecida com apagões sistemáticos, consegui aperceber-me que a arma militar permanecia estaticamente numa posição central, estabelecendo uma linha divisória imaginária que me separava do monstrengo impiedoso.
Rastejei cambaleando, aos tombos, mais com o coração do que com o corpo, com as forças mínimas que ainda me restavam nos ossos, músculos e pele, na ânsia de alcançar a espingarda e alvejar o advogado do diabo antes que ele matasse a única testemunha ocular do plano diabólico de Lúcifer para conquistar definitivamente o Mundo. Quando a besta ranhosa, afiava preliminarmente as suas garras laminadas para desferir o golpe fatal, agarrei acrobaticamente na arma moderna, convicto que desta vez o projéctil de chumbo tivesse a coragem de atingir o seu alvo e disparei um tiro certeiro, mesmo no centro da caixa craniana, confirmando aquela máxima de que uma bala diz sempre a verdade. No entanto, apesar do feito hercúleo, esta vitória provocaria apenas um singelo arranhão no poderoso exército dantesco que ainda permanecia de pé como uma rocha inabalável, avaliando-me desrespeitosamente com um sorriso cínico e pervertido na clara mensagem vingativa de que o pior ainda estava para vir. Afiaram os dentes aguçados esfregando-os na língua em tom provocatório, soltaram o seu grito de guerra esfomeado e correram ferozmente na minha direcção, seguindo o rasto de sangue das feridas dilaceradas que me enfraqueciam minuto a minuto, enquanto tentava arrastar-me até ao elevador que dava acesso ao "Hangar das Naves Espaciais".

P.S - Um contra todos e todos contra um, parecia um lema outrora celebrizado historicamente por um célebre trio, mas que agora via os seus predicados alterados pela injustiça divina de um Deus que tenta escrever direito por linhas tortas...

A Continuar...

Autor da Imagem: Pedro Pinto Em
Olhares.com/Thales1

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Ornus Et Pulvis

Contacto plasmático com a película de pele, quente e fervilhante, destrutível no toque manual, singelo e inocente, que liquidifica o plástico orgânico transparente ressequido pelo ar…

Ardor silencioso do ácido sulfúrico que derrete o tecido humano pegajoso, coagulado pela secura do suspiro consciente de quem tudo fez mas nada conseguiu alcançar…

Abandono instantâneo da camuflagem espiritual, no ”terminus” do prazo de validade, quimicamente dissolúvel e corporalmente transmutado no cinzeiro da vida…

Resquício de pólvora humana que levita sem gravitação, fragmentando-se progressivamente em partículas de fogo incandescente mutuamente consumidas num todo que é nada…

Nudez subcutânea reveladora da aura lívida antropomórfica, cobaia experimental do fracasso satânico, expulsa da corrente sanguínea anémica pelos anticorpos da sua criação…

Âmbula dos restos mortais reduzidos a cinza e pó, que contém tudo e não contém nada…

“ Omnes Est Ornus Et Pulvis “

Tudo É Cinza E Pó


Autor da Imagem: Paulo Madeira Em
PauloMadeira.net

Como o prometido é devido, dedico este texto à Marina, espero que gostes...

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Estado De Emergência Defcon 3

O reflexo cristalino na vidraça panorâmica do “Centro de Comunicações”, ofuscava a retina ocular com o brilho metálico da fuselagem de centenas de naves espaciais, oriundas do planeta Terra, completamente lotadas até ao último possível passageiro. O suspiro aliviante da guerra fria emocional, que atrofiava o coração com medo de morrer e enlouquecia a mente ansiosa por sobreviver ao nevoeiro de gelo que congelava as únicas recordações queridas e belas conhecidas pelo ser humano. O grito libertador da pressão existencial esboçado num caloroso sorriso, inicialmente com sabor a vitória, mas que rapidamente se transformaria num soluço amargo e enjoativo de pânico desmedido, mal sabiam aquelas pobres almas, a partida que o destino lhes pregara, apenas à espera do "timing" perfeito para se soltar. Os guinchos carnívoros daquelas criaturas desumanas, assobiavam incessantemente no meu ouvido tísico a melodia faminta de fome animal e selvagem, provocando pequenas descargas eléctricas corporais no meu ser trepidante e molhado com suores frios de medo.
O tempo avançava vertiginosamente, sem dó nem piedade, trazendo o bem numa bandeja para ser consumido e devorado pelo mal, na aproximação gradualmente acelerada das naves espaciais de salvamento à "Estação de Acoplagem" da “GenoTech”. Os botões encarnados de alerta, piscavam descontinuamente por todo o painel computorizado, o papel A4 saltava das impressoras com os relatórios pormenorizados de todos os danos materiais e estruturais causados nos diversos segmentos da infra-estrutura, os microfones cromados de comunicação com o exterior eram surdos e mudos, completamente indiferentes às inúmeras tentativas desesperadas de avisar aqueles passageiros ingénuos para não aterrarem num planeta armadilhado com uma bomba prestes a explodir. Não sabia o que fazer, o que pensar, sentia-me como um estranho anónimo perdido num limbo esquecido para o mundo, apenas relembrado no momento de o salvar, mas eu tinha de agir, de me agarrar a algo espiritual que me desse forças para me transcender, por mim, pela minha família, pela humanidade.
Enchi-me de coragem e esperança, serrei os dentes e os punhos para me auto-motivar e dirigi-me furiosamente à “Sala de Armamento“ adjacente ao vasto complexo de comunicações onde me encontrava. Peguei na leve espingarda futurista, com "zoom" telescópico equipada com a mais recente tecnologia de balas protoplasmáticas, agarrei em meia dúzia de granadas criogénicas que pendurei num cinturão de nylon muito leve e robusto em torno da cintura, e vesti um colete à prova de choque que trazia acoplado uma pistola “Taser“ paralisante. Armado até ao pescoço como um autêntico “Rambo“ dos tempos modernos, ausentei-me da "Sala de Armamento" e consultei o avançado "Gps" oferecido pela “GenoTech“ para me situar geometricamente e não me perder naquele "deja vu" arquitectónico.
A minha próxima tarefa parecia simples à primeira vista, só tinha de me deslocar à "Estação de Acoplagem Aérea" e activar a rampa espacial onde as naves iam aterrar. Todavia, um olhar mais atento e debruçado sobre o referenciado dispositivo posicional, encheu novamente o meu coração de inquietação, ao verificar de forma exacta e evidente, que o único caminho possível para alcançar o hangar das naves espaciais, seria através da passagem pelo assombrado "Complexo de Genoma Humano", onde os demónios vampíricos ensaiavam a coreografia final para entrarem em cena.
Sem uma solução alternativa e com a fé divina num desfecho promissor, realizei um "sprint" muito rápido por entre paredes frígidas e corredores luminosos que me eram familiares e que já tinham partilhado comigo a fuga opressiva do sobrevivente oportuno mas desta vez no sentido inverso. Subitamente, os batimentos cardíacos aumentaram descontroladamente de ritmo, ao captar no meu campo de visão, a imagem cada vez mais próxima das janelas salpicadas de sangue e saliva esfregadas pelo focinho daqueles animais primitivos que uivavam o grito da liberdade. Fechei os olhos por segundos com a força de quem queria ser cego temporariamente para seu próprio bem e ao passar paralelamente à porta futurista que separava o paraíso do inferno, os vidros explodiram à minha volta no salto vertical daqueles monstros mutantes, outrora meus amigos, decididos a travar a minha caminhada, no pressentimento ameaçador das suas vidas miseráveis. Atirei-me horizontalmente pelo ar, por entre estilhaços prateados eclipsados pelas sombras dos bichos que pairavam na minha cabeça e dispararei sem qualquer dúvida e hesitação, como um assasino treinado para matar, tiros de plasma azul que incendiavam a sua pele deformada num efeito evaporizante…

A Continuar...

Edição de Imagem: Bruno Fonseca

Dedico este texto a uma pessoa especial, à Ana, que me tem apoiado muito nesta aventura que tem sido a " Última Transmissão Humana "

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Armagedão Perfeito


A Humanidade enfrenta a extinção da sua espécie, na última hora de uma dor profunda que invade o coração de medo e temor, na sensação impotente do quão pequena e insignificante é a vida, perante duas catástrofes de dimensões hérculeas...

O dia do julgamento final, paira sobre as nossas cabeças, de osso frágil, neste espaço e neste tempo real e irrepetível, obrigando o comum mortal a lutar pela sua sobrevivência enquanto homem livre, senhor do seu destino, que não aceita a obliteração gratuita na derradeira batalha entre " David e Golias "…

A vida e a morte, opostos por natureza, tocam-se inevitavelmente, justificando a prova de fogo da existência humana de que somos merecedores de viver neste mundo cada vez mais decadente mas que ao mesmo tempo queremos que subsista…

O planeta que nos viu crescer, cobre-se rapidamente com o manto branco da destruição não pacifica, que asfixia e congela progressivamente o ar e a água da vida, sussurrando ao ouvido, o adeus definitivo de boa noite para nos ver morrer…

Muitos foram os profetas que tentaram antever o desfecho sombrio e trágico da nossa espécie, num caminho percorrido por " Nostradamus " em que este previa que o Mundo seria devastado por um asteróide gigante com cerca de 1350m, o " Papa João XVIII " a quem não era alheia a ideia de seres extraterrestres no último dia dos dias, e muito antes já " Zacarías " previra que o fim dos tempos seria marcado por uma grande guerra, seguindo-se um longo período de paz interrompido por dois grandes conflitos apelidados de " Guerras do Anti-Cristo ", mais recentemente " Edgar Cayce " partilha a sua visão profética ao escrever que o planeta Terra seria abalado por uma calamidade provocada por forças que agem no seu interior, originando a deslocação do seu eixo e a mudança de posição dos pólos, um pouco à semelhança da previsão feita por " Richard Noone " que afirmara que os pólos acabariam por se unir, dando origem a uma nova era glaciar.

P.S - Não sou o profeta de Deus, não sou o mensageiro do Mundo, e mesmo aqueles imcumbidos dessa tarefa nunca conseguiram prever duas catástrofes em simultâneo, uma nova era glaciar na Terra, e um acidente biológico em Marte...

Começou o “ Armagedão Perfeito

"Por mais de onze vezes a Lua e Sol desaparecerão,
Tudo aumentando e diminuindo de grau,
E colocado tão em baixo que até o ouro escurecerá,
Depois da fome e da peste, descoberto será o segredo"

Nostradamus, Centúria IV, Quadra 30

Autores das Imagens: Paulo Madeira Em PauloMadeira.net
e Pedro Pinto em Olhares.com/Thales1

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Mashiach Vs Anti-Cristo

Visão anagógica reveladora da última mensagem divina à consciência pessoal, do "daimon" maniqueísta, medium espiritual, da luta do bem contra o mal.

Voz ancestral do eco sagrado proveniente da harpa mística do anjo Gabriel, mensageiro de Deus, anunciador do destino da alma humana, astrologicamente pré-escrito no livro da vida sem páginas.

Sina do herói oculto que carrega aos ombros a pesada cruz dos sete pecados mortais da humanidade, tatuada à nascença nas fornalhas quentes que ardem no Inferno.

"Mashiach" do judaísmo messiânico profetizado no “Ani Maamin“ libertador do mundo do derradeiro sono eterno.

"Medjai" enviado por Alá para desmascarar a conspiração maquiavélica da sociedade secreta “Illuminati“ no advento de uma nova ordem mundial.

Cavaleiro da Távola Redonda que transporta a “Excalibur” redentora do pecado final de Adão, no nascimento do novo Anti-Cristo.

Imagens Desfocadas, Mensagens Codificadas, Verdades Ocultadas...

Quem sou Eu? Quem deveria Ser? O que tenho de Fazer?

Só Deus saberá...

Autor da Imagem: Paulo César Em PauloCesar.eu

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O Exército De Dante

Encostei o meu rosto gelado e insensível, ao minúsculo vidro esculpido triangularmente e visualizei dilatadamente de forma inerme e indefesa a derradeira manifestação corpórea do mal em mais um plano maquiavélico encomendado pelo senhor das trevas ao seu filho demónio.
As minhas mãos, trémulas e arrepiadas, como as de um idoso nos seus últimos dias de vida, mal conseguiam sentir a textura plana do metal resfriado da porta futurista à prova de bala, agravando a minha respiração acelerada que embaciava ligeiramente o cubículo visual da única barreira segura que separava o paraíso do inferno. Naquele instante, senti-me tão minúsculo, tão impotente e inutilmente vazio como se estivesse enjaulado numa gaiola construída com inércia ao registar na memória, aqueles homens que outrora partilhavam comigo gargalhadas nas pausas entre as partidas de "snooker", no refeitório da “GenoTech” e que agora faleciam brutalmente, transformando-se em criaturas malignas, desprovidas e despojadas de quaisquer ligações emocionais humanamente significativas de amor ou amizade, reduzidas ao instinto animalesco do "darwinismo" selectivo da sobrevivência do mais forte sobre o mais fraco, como soldados perfeitos do exército demoníaco comandado pelo general Dante.
Aparentemente, aqueles demónios adultos recém-convertidos, providos de instintos básicos de sobrevivência extremamente apurados, repararam na minha presença, fitaram-me nos olhos e vieram na minha direcção em fila indiana, ostentando os seus dentes vampíricos, afiados e pontiagudos, babando-se por uma trinca de carne e um golo de sangue, consumindo gradualmente o espaço geométrico numa sombra escura de morte. Uma surdez temporária invadiu repentinamente o meu tímpano sensivel ao cravarem e deslizarem as suas unhas selvagens ao longo do vidro, num calafrio sonoro cerebralmente insuportável. A minha vida encontrava-se novamente em perigo, com os pontapés gananciosos, murros vingativos, batidas demolidoras e amolgadelas perfurantes no muro de aço branco, símbolo de paz, intransponível apenas por enquanto. Coloquei a penúltima máscara biológica disponível na vitrine de primeiros socorros, na tentativa cautelosa de protecção contra um eventual risco de contágio e afastei-me definitivamente do portão inquebrável numa correria convicta por entre corredores infindáveis de luzes vermelhas intermitentes, desta vez em direcção à "Sala de Comunicações" na esperança de pedir ajuda.
O complexo de comunicações era o único concebido independentemente dos restantes laboratórios científicos que estavam todos ligados à divisão principal onde teve lugar o acidente quimíco.
O acesso estava selado como seria prevísivel, automaticamente trancado pelo sistema informático após activação do protocolo de emergência. A transposição da mencionada barreira arquitectónica implicaria sempre o scanner da retina ocular de um dos funcionários daquele compartimento específico e eu não tinha o nível de acesso necessário para aceder a essa área restritiva por isso seria uma tentativa absolutamente em vão. Bati ferozmente no portal inoxidável, gritei no intercomunicador e na câmara de vigilância mas ninguém parecia ouvir as minhas preces frustrantes. Comecei a desesperar passivamente num colapso psicológico superficial, sentei-me no chão com as pernas cruzadas asiaticamente, elevei as mãos à cabeça e foi no meio desse procedimento perturbante que reparei na grelha metálica do ventilador de ar, colocado estrategicamente por cima da portada electrónica. Dei uma biqueirada intencionalmente forte com a sola de borracha resistente e pesada do meu calçado multi-desportivo e entrei ajoelhado naquele buraco negro e claustrofóbico. Percorri vigilantemente o labirinto de alumínio infinito, quase às cegas, numa respiração afoguiante e oxigenada, até chegar com sucesso à "Sala de Comunicações".
Foi então que me deparei com um cenário ainda mais assustador, todos os empregados estavam mortos, liquidificados num verdadeiro "saquê" de sangue, possivelmente contaminados pelo vírus que se propagou no ar através do exaustor que estava ligado à conduta ventilante onde deflagrou o trágico "incêndio diabólico". Sem mais demoras peguei bruscamente no microfone e uma luzinha amarela florescente acendeu-se de imediato na linha privada, dando a indicação da chegada de uma "mms" emitida do "Comando Central do Pentágono". A mensagem audio-visual não era totalmente perceptível, continha inúmeras interferências e ruídos mas foi suficientemente clara para captar o essencial das palavras preocupadas do coronel “Redford” que o plano de evacuação para Marte estava em marcha. Tentei aflitivamente responder de volta mas a ligação perdeu-se. Subitamente, as comunicações com o planeta Terra ficaram cortadas, certamente devido às tempestades ciclónicas, aos tremores de terra destrutivos, aos tornados mortais, às temperaturas negativas abaixo dos 50 graus, às chuvas torrenciais ilimitadas e às calotes glaciares derretidas que avançavam apressadamente em direcção aos continentes...

P.S – Temia o pior, o vírus propagava-se rapidamente e só eu sabia da sua existência. O tempo esgotava-se contra uma nova ameaça desconhecida, na eminência da chegada das primeiras naves espaciais de salvamento, porventura com a minha família a bordo...

E se os mutantes contaminados conseguirem fugir da "Sala em Quarentena"?

E se o vírus propagar-se para fora das instalações da "GenoTech"?

Que lugar haverá para a Humanidade?

A Continuar...

Autor Da Imagem: Paulo Madeira Em
PauloMadeira.net

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Metamorfose Simbiótica

Metamorfose simbiótica, geneticamente auto-suficiente de mutação maligna acidentalmente proveniente do lado negro do mal.

Anomalia aleatória da homoplasia cerebral, pervertidamente retorcida no seu instinto animal.

Infecção contagiosa do vício parasital, injectado no hospedeiro impotente, enfraquecido e moribundo que rasteja no espectro do mundo sem luz.

Ampola de veneno narcótico feita de medo anestesiante que enerva o sistema neurológico de gás suicida e mutilante.

Ópio da derradeira droga mortal, reveladora da verdadeira identidade homicida, silenciosamente infiltrada nos recantos mais obscuros do subconsciente cerebral.

Híbrido natural de hipalgesia sobre-humana e histeria descontrolada num olhar satânico oriundo do último paraíso sem vida onde os mortos vagueiam surdos e mudos no fim do mundo.

Descoloração da alma humanamente sobrevivente em visões angelicais, na única profecia da chegada de um Messias maléfico coleccionar das almas mortais.

Eu cheguei para me Vingar, para te Matar, para Sugar a tua alma, e para te Libertar...

Autor da imagem: Paulo Madeira Em PauloMadeira.net

Texto dedicado a Paulo Madeira que completou 30 anos recentemente...

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Suco Mortal

Suco mortal, abiótico sanguíneo da absolvição espiritual, libertador da indecência humana para o bem ou para o mal.

Essência da identidade pessoal perdida no tempo imortal da memória para alguns, do esquecimento para outros.

Fricção acerante do derradeiro sopro vital, gradualmente decadente, seco e pálido no esgotamento dos recursos orgânicos finais.

Líquido de púrpura fugaz, escorregadio e dissolvente que resvala pelo último cheiro corporal, inevitavelmente irreversível de paralisia cerebral.

Pedido sussurrante de ajuda, na queda dorsal desamparada e dolorosa de um corpo arrefecido quase frio de reacções e sentimentos.

Mergulho na água turva da morte, engasgando os sentidos, embrieguando as forças, numa dormência quase paralítica.

Na sóbria visão esquisofrénica da vida, de que não permaneceremos apenas a sombra dos ossos e o pó da pele...

Autor da Imagem: Paulo Madeira Em PauloMadeira.net

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Última Transmissão Humana

Ano 2080, eu sou o único sobrevivente não contaminado de um grave acidente biológico que ocorreu no laboratório da divisão de genoma humano da “GenoTech“, empresa de pesquisa molecular sediada na segunda colónia a norte de Marte perto da vasta planície de "Vastitas Borealis". Tudo começou há 4 dias atrás, quando um grupo de climatólogos russo descobriu através de imagens chocantes captadas pelo seu satélite, Resurs Dk-1 lançado em 2006, que as calotes glaciares do Pólo Norte estavam a derreter parcialmente. Todos os governos mundiais accionaram desde logo os respectivos planos de emergência de cada Estado, iniciando rapidamente uma cooperação a nível global sem precedentes.
Quando recebemos a notícia na sede da "GenoTech" em Marte, eu estava sentado na minha secretária de contraplacado preta, macia ao toque, com o meu laptop “Dell“ novinho em folha, a fazer um "check up" de rotina ao sistema de vídeo-vigilância. Sim, não vos disse ainda, chamo-me "Haiden" e sou um programador informático, contratado a prazo pela "GenoTech" para fazer a manutenção do seu sistema de segurança e assegurar que não existem falhas técnicas no circuito informatizado.
Fiquei aterrorizado ao escutar o bloco informativo especial que acabava de ser transmitido em directo do planeta Terra e caí desamparado no chão com as mãos na cabeça, ali permaneci momentaneamente, petrificado como uma estátua de pedra perdida num mundo sem tempo, estático, imóvel, como se estivesse acordado num estado de coma profundo. Os meus olhos quase saltavam das órbitas, tão dormentes de estupefacção que nem uma lágrima conseguiam verter, perante aquela evidência tão seca, ríspida e profunda. De repente, voltei a mim, abanado violentamente pelo meu chefe superior. Eu bem via os olhos dele, negros como a noite, sedentos de loucura e os de toda a gente em meu redor numa correria desenfreada em mil e uma direcções que mais parecia uma excursão de formigueiros desorientados e psicóticos, atropelando-se mutuamente, pisando-se individualmente num ensejo angustiante por novidades da Terra, dos seus familiares tal como eu. Contudo, apesar do panorama caótico eu permanecia mais calmo, consciente, com uma visão ampliada das coisas, com o sangue semi-frio quase a brotar-me das veias e foi no meio do pânico, desespero, inquietação, daquele arrepio gelado e metálico que apanha a espinha dorsal por completo que a tragédia aconteceu e tudo voltou a parar à minha volta como se tivesse accionado um botão para por o tempo em "slow motion". Fixei com a precisão de um poderoso telescópio, de forma precisa e inequívoca, os corpos de dois cientistas a serem projectados como pequenos sólidos de plástico contra o vidro acrílico que protegia o novo complexo molecular que estava a ser desenvolvido para fins de terapia cancerosa, altamente secreto e contagioso. Naquela fracção de segundo fui directamente ao Inferno numa viagem gratuita paga por Satanás em pessoa ao presenciar os esqueletos ingénuos, frágeis e delicados, dos meus colegas a transformarem-se em criaturas deformadas, irreconhecíveis, autênticos mutantes humanos. As mãos estendidas e os berros ensurdecedores de ajuda audíveis a quilómetros de distância, da pele a queimar-se no contacto cutâneo com o reagente molecular, a mudança de cor de todo um organismo que outrora fora perfeito, semelhante ao meu.
Comecei a correr sem olhar para trás, com toda a força que ainda me restava nos músculos, no meio daquela contaminação crescente, por entre mãos entreabertas, pernas cruzadas e suores escorregadios, pressionado pela contagem de quarentena decrescente de cinco minutos irreversíveis, iniciada automaticamente pelo sistema computorizado e consegui alcançar a porta branca e futurista de vidro à prova de bala, fui o único de resto mas paguei o pesado preço da salvação, ao ser obrigado a presenciar os meus companheiros, camaradas de trabalho a serem devastados diante dos meus olhos pela sua própria criação.

P.S - Se esta for a minha última mensagem, é porque eu já morri, ou continuo perdido algures na imensidão do espaço, na única cápsula de emergência que saiu de Marte, esta é a nova estória da humanidade, começa aqui a minha " Última Transmissão Humana "

A Continuar...

Edição de Imagem: Ema Modesto

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